Um plano de treino de basquete é uma lista de blocos de tempo, cada um com uma função. Um bom plano de 90 minutos tem sete blocos e uma ideia principal. Se você não consegue dizer a ideia principal numa frase, o plano está cheio demais.
O modelo abaixo funciona para a maioria dos times a partir de uns 13 anos. Para um time mais novo, encurte cada bloco e mantenha a ordem.
O modelo de 90 minutos
| Bloco | Minutos | Função |
|---|---|---|
| Aquecimento | 10 | Mexer-se, arremessar, ficar pronto |
| Fundamento | 15 | Um fundamento, repetido |
| Exercício em jogo reduzido | 15 | Usar o fundamento contra defensores |
| Introduzir ou revisar uma jogada | 15 | Uma jogada, caminhando e depois em ritmo |
| Defesa ou transição | 15 | O hábito comum da semana |
| Coletivo | 15 | Jogar valendo, com um foco |
| Lances livres e conversa | 5 | Terminar com um resultado |
São metas, não regras. Se um bloco estiver indo bem, pegue cinco minutos emprestados do próximo.
Bloco 1: Aquecimento (10 minutos)
O time começa a se mexer já no primeiro minuto. Alongamentos dinâmicos, bandejas dos dois lados e um exercício de passe simples bastam.
Escolha um aquecimento que ensaie a sua ideia principal. Se hoje o tema é espaçamento, faça um aquecimento de passa e corta. Os jogadores pegam o hábito antes de você explicá-lo.
O exercício Mikan é um bom começo para os primeiros cinco minutos de qualquer noite: bandejas curtas alternando os lados, bola alta, as duas mãos. Ele precisa de uma bola por dupla e de nenhuma explicação depois da primeira semana.
Se a ideia principal é a transição, uma trança de três cumpre a mesma função e ainda aquece as pernas.
Onde entra uma jogada desenhada: mande o diagrama da noite antes do treino. Jogadores que já a viram uma vez precisam de menos tempo para aprendê-la.
Bloco 2: Fundamento (15 minutos)
Um fundamento, muitas repetições. Trabalho de pés, uma finalização ou um ângulo de passe. Faça os grupos rodarem rápido para que ninguém fique esperando numa fila.
Mantenha a explicação abaixo de um minuto. Mostre, deixe fazerem e corrija uma coisa de cada vez.
Onde entra uma jogada desenhada: diga para que serve o fundamento no seu ataque. “Este é o corte que você faz no segundo passe da jogada.”
Bloco 3: Exercício em jogo reduzido (15 minutos)
Jogue 2 contra 2 ou 3 contra 3 com o fundamento do bloco 2 como objetivo. Grupos pequenos dão a cada jogador mais contatos com a bola do que um cinco contra cinco.
É aqui que os hábitos se formam. Um defensor que gruda num cortador ensina o cortador a ler, coisa que um exercício sem defensores não consegue.
Numa noite de defesa, o exercício de closeout cabe aqui: um defensor, dois arremessadores e 1 contra 1 valendo quando o closeout estiver limpo.
Onde entra uma jogada desenhada: tire uma ação da jogada e treine só ela, como um passa e corta ou um bloqueio para baixo.
Bloco 4: Introduzir ou revisar uma jogada (15 minutos)
Este é o bloco em que uma jogada desenhada conquista o seu lugar. A rotina é a mesma toda vez.
- Mostre. Coloque o diagrama na frente do time por 60 segundos.
- Caminhe. Cinco jogadores, sem defesa, devagar.
- Execute. Acrescente defensores e jogue em ritmo de jogo.
- Pare e corrija. Mude uma coisa e execute de novo.
Se o seu time tem uma jogada de reposição de fundo, este é um bom bloco para repeti-la, porque ela começa organizada toda vez.
Ensine no máximo uma jogada nova por treino. Revise a anterior primeiro. Nosso guia sobre ensinar um playbook que os jogadores lembram trata do trabalho de longo prazo.
Bloco 5: Defesa ou transição (15 minutos)
Escolha um. Alterne as semanas se precisar dos dois. Para a defesa de meia quadra, o shell drill é a escolha habitual a partir do U14; nosso guia de exercícios de defesa traz as progressões.
Para a transição, passe caminhando pelas faixas de cada um antes de correr. Cinco funções, nenhuma leitura.
Contra uma pressão, treine a saída de pressão contra defensores e deixe-a falhar uma vez, para que o time veja como é uma dobra.
Onde entra uma jogada desenhada: mostre o diagrama primeiro, depois execute. Jogadores que sabem para onde a bola vai aprendem o espaçamento mais rápido.
Bloco 6: Coletivo (15 minutos)
Jogue valendo, com uma regra que leve a ideia do treino de volta para a quadra. “Três passes antes de arremessar” ensina a circulação da bola. “Um ponto para cada corte para o aro” ensina o hábito do bloco 1.
Pare o coletivo raramente. Vale parar por um erro que você consegue nomear em cinco palavras. Qualquer coisa mais longa espera a pausa para a água.
Onde entra uma jogada desenhada: peça a jogada da noite numa bola parada e veja se o time ainda a executa cansado.
Bloco 7: Lances livres e conversa (5 minutos)
Termine com um resultado. Arremessem lances livres em duplas com uma meta pequena e fechem com um minuto de conversa: o que fizemos, o que vem a seguir.
Peça a um jogador que explique para onde ele vai na jogada da noite. Se ele não souber dizer, planeje repetir.
Adaptando o modelo
- Para um treino de 60 minutos, corte o bloco 2 e encurte o bloco 6.
- Para um time novo, encurte todos os blocos, acrescente pausas para a água e deixe de lado a regra de foco do coletivo.
- Antes de um jogo, faça do bloco 4 uma revisão de jogadas que o time já conhece. Uma jogada nova na véspera do jogo gera erros.
Uma semana de exemplo
O modelo se repete, mas a ideia principal muda. Uma semana simples com quatro treinos poderia ser assim.
- Segunda: ataque. Espaçamento e cortes nos blocos de fundamento e de jogo reduzido. Introduzir o sistema base.
- Terça: defesa. Closeouts e ajuda no bloco de jogo reduzido. Revisar o sistema de segunda no bloco 4.
- Quarta: transição e pressão. Faixas de cada um e saída de pressão. Coletivo curto.
- Quinta: preparação para o jogo. Revisar só jogadas que o time conhece, depois reposições de bola e situações de final de jogo.
A ideia é simples. Cada noite tem um tema, e o bloco de jogada segue esse tema.
O que escrever no plano
Um plano útil cabe numa página. Inclua:
- A ideia principal da noite, numa frase.
- O tempo de cada bloco.
- Os nomes dos exercícios. Se você os desenhar uma vez, os assistentes podem abrir o mesmo diagrama em vez de adivinhar.
- A única jogada que você vai ensinar ou revisar.
- Uma coisa em que você vai prestar atenção. Um único ponto de atenção é mais fácil de acompanhar do que cinco.
Depois, escreva uma linha: o que funcionou, o que não funcionou. Essa linha vira o plano da semana seguinte.
Planos de treino para idades diferentes
Os sete blocos continuam. O tamanho de cada um muda.
- U10: 60 minutos. Fundamentos e jogos, com um bloco de jogada curto. Filas curtas e uma bola para cada jogador.
- U12 a U14: 75 a 90 minutos. O modelo completo, com uma jogada e uma ideia defensiva por noite.
- U16 em diante: 90 minutos ou mais. Acrescente vídeo ou uma passagem caminhando pelas jogadas do adversário antes do bloco 4.
Jogadores mais novos aprendem jogando. Se um exercício está chato, transforme-o numa competição. Nosso guia de exercícios de basquete para crianças por idade mostra o que serve no U8, U10, U12 e U14.
Erros comuns
Alguns hábitos transformam um bom plano num treino ruim.
- Ideias demais. Se você ensina espaçamento, uma saída de pressão e um sistema novo na mesma noite, nada fica.
- Filas longas. Jogadores que esperam não aprendem nada. Divida em mais grupos ou use mais cestas.
- Explicações paradas. Conversas longas no meio da quadra custam os minutos de que você precisava para as repetições.
- Sem revisão. Uma jogada ensinada uma vez e nunca mais revisada some até o fim de semana.
Quando o treino dá errado
Algumas noites desandam. Metade do time chega atrasada, a quadra é dividida ou o exercício que você planejou não funciona.
Corte o bloco que menos importa, geralmente o segundo exercício de fundamento, e proteja o bloco de jogada. Dez minutos bons numa jogada valem mais que trinta minutos corridos em três. Anote o que aconteceu e corrija na semana seguinte.
Fazendo o plano funcionar
Um plano no papel só importa se sobreviver à quadra. Escreva numa página, compartilhe com os seus assistentes e mantenha a mesma ordem toda semana. Os jogadores ficam mais tranquilos quando sabem o que vem depois.
O SlongeHoops pode ajudar no bloco de jogada. Você desenha a jogada, vê a jogada rodar e compartilha um link para que os jogadores a vejam antes de chegar. Ele também tem uma biblioteca de exercícios com diagrama, pontos de atenção, minutos e faixas etárias para cada exercício, e um editor de exercícios para desenhar os seus, cones incluídos. No Coach, o planejador de treinos guarda os blocos acima com os horários, e um treino pronto de 90 minutos te dá um primeiro rascunho para mudar. Os planos de treino prontos podem ser lidos e impressos de graça, sem conta. Use os diagramas para encurtar as explicações e gaste os minutos economizados em repetições.
Perguntas
Quanto tempo deve durar um treino de basquete?
Noventa minutos é uma duração comum para times a partir de uns 13 anos. Times mais novos rendem melhor com 60 a 75 minutos, porque a atenção cai muito antes do relógio.
Como estruturar um treino de basquete?
Aquecimento, ensinar um fundamento, treiná-lo num exercício, aplicá-lo num jogo reduzido, introduzir ou revisar uma jogada, depois coletivo e, para fechar, lances livres. Uma ideia principal por treino é suficiente.
Quantas jogadas ensinar em um treino?
No máximo uma jogada nova, e só depois de revisar a anterior. Ensinar três jogadas numa noite significa ensinar as três de novo na semana seguinte.
Como usar uma jogada desenhada no treino?
Mande para o time antes do treino, para que os jogadores a vejam uma vez, depois passe por ela caminhando sem defesa e depois contra defensores. O diagrama economiza tempo de explicação, não repetições.